Frequentando congressos e seminários sobre o uso medicinal da Cannabis, há um consenso de que profissionais da saúde abordem esse tema. Também é unanimidade que juristas sejam as pessoas mais adequadas para abordar leis e regulamentações da planta.
Nesses eventos, os palestrantes mencionam o histórico milenar de usos da planta em outros tempos e outras sociedades. Essa é uma forma didática de explicar como a proibição é um erro histórico e recente.
No entanto, é raro que convidem historiadores para falar da história da Cannabis no Brasil ou no mundo. Então, são profissionais de outras áreas que levam informações sobre o uso da planta no passado para o público desses eventos.
Como resultado, sem culpabilizar, há uma superficialidade na abordagem sobre a relação das sociedades com a maconha. A referência à farmacopeia chinesa datada de cerca de 2.700 a.C. virou quase um clichê.

Devemos reconhecer que tanto médicos quanto juristas reconhecem o racismo que motivou a proibição da maconha no Brasil e em diversos países. É fundamental que esse tema esteja presente nos debates atuais, que vão de moléculas à Resoluções de Diretoria Colegiada.
Na Editora Vista Chinesa, acreditamos que resgatar o passado é uma forma de reescrever o futuro. Por isso, devemos valorizar o que profissionais da História têm a acrescentar ao debate, pois a História é uma ciência com métodos rigorosos.
A Vista Chinesa se propõe a incluir os historiadores na mesa de debate sobre como podemos nos relacionar melhor com a planta. Depois de publicarmos A Maconha no Brasil Através da Imprensa, de Gustavo J. C. Maia, trazemos mais uma obra que aborda a História da Cannabis.
Antes da Proibição: Quando a Maconha era Remédio, do historiador Saulo Carneiro, vem para trazer lucidez ao debate, mostrando que um mercado regulado de medicamentos à base de Cannabis já foi uma realidade brasileira.
Sobre o livro Antes da Proibição: Quando a Maconha era Remédio

Entre a segunda metade do século XIX e a terceira década do século XX, a maconha era vendida em farmácias brasileiras, prescrita por médicos e incluída em farmacopeias oficiais. Era indicada para asma, cólicas, espasmos, insônia, gastralgias e dezenas de outras condições. Essa história quase esquecida é o objeto de Antes da Proibição.
Com pesquisa aprofundada em periódicos médicos, farmacopeias, teses, dicionários e legislações do período, Saulo Carneiro reconstituiu como a planta foi apropriada pela medicina acadêmica brasileira e posteriormente expulsa do arsenal terapêutico não por razões científicas, mas por uma combinação de preconceito racial e disputas políticas que culminaram na criação da Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE), em 1936.
O livro está estruturado em três capítulos: o primeiro traça um panorama histórico e legislativo; o segundo examina a tensão entre o uso terapêutico legítimo e a estigmatização crescente da planta; e o terceiro mergulha nos saberes farmacológicos, detalhando preparados, fórmulas, debates científicos e o papel das grandes empresas farmacêuticas no processo que culminou com a proibição.
Prefaciado pelo historiador Henrique Carneiro, professor de História Moderna da USP e referência nos estudos sobre história das drogas no Brasil, o livro dialoga com a produção historiográfica mais recente e chega em momento de intenso debate público sobre a regulação da Cannabis no país.
Sobre o autor
Saulo Carneiro é historiador, mestre em História da Ciência e da Saúde pela Fiocruz. Sua pesquisa se dedica à história das drogas, da farmacologia e das políticas de saúde no Brasil. Antes da Proibição é seu primeiro livro.


Por que agora?
O Brasil vive um momento singular no debate sobre a Cannabis: o STF discutiu recentemente a descriminalização do porte para uso pessoal, o mercado de produtos à base de canabidiol cresce aceleradamente e o Congresso debate marcos regulatórios para a produção medicinal. Nesse cenário, Antes da Proibição oferece o que faltava ao debate: a memória histórica de que a proibição não foi uma consequência natural do conhecimento científico, mas uma escolha política com raízes no racismo e no autoritarismo.
Pré-venda no Catarse
A Editora Vista Chinesa lança a campanha de pré-venda de Antes da Proibição pela plataforma Catarse, no modelo Flex — o que garante que todos os apoiadores recebam seus exemplares independentemente do volume total arrecadado. O livro pode ser adquirido pelo valor de R$ 59,00 (exemplar físico com frete incluso).
A campanha se iniciará na data icônica de 4/20 (dia 20 de abril), com recompensas incríveis!
